Uma nova reportagem voltou a colocar a família Cascio no centro de uma polêmica envolvendo o legado de Michael Jackson. O caso ganhou destaque após a publicação de uma nova matéria do portal The Blast, que detalha a mais recente ação judicial movida por membros da família que durante décadas foram conhecidos como aliados próximos do cantor.
Segundo o artigo, quatro irmãos da família decidiram entrar com um processo federal na Califórnia buscando uma quantia que pode chegar a centenas de milhões de dólares. Edward Cascio, Dominic Cascio, Aldo Cascio e Marie-Nicole Porte apresentaram a ação no dia 27 de fevereiro no Tribunal Distrital Central da Califórnia, iniciando mais um capítulo em uma disputa que já se arrasta há anos.
De acordo com advogados do espólio de Michael Jackson, a ação representa mais uma tentativa de obter grandes quantias do patrimônio deixado pelo artista. O advogado Marty Singer, que representa o espólio do cantor, afirmou que o processo seria parte de um esforço calculado para extrair dinheiro da herança e das empresas ligadas ao nome do artista.
Ex-amigos de Michael Jackson aparentemente voltam por mais
O artigo do The Blast destaca que a família Cascio passou cerca de 25 anos defendendo publicamente Michael Jackson. Durante esse período, eles não apenas falaram em defesa do cantor como também receberam pagamentos que, somados, chegaram a aproximadamente 11,2 milhões de dólares do espólio de Michael.
Em 2019, cada um dos membros envolvidos teria recebido cerca de 2,8 milhões de dólares em um acordo com o espólio. Segundo os representantes de Michael Jackson, o pagamento teria sido feito após a família ameaçar iniciar uma campanha pública contra o cantor caso não recebesse valores considerados muito altos.

Após gastar esse acordo, afirma a defesa, os membros da família voltaram a buscar novas ações judiciais. A nova ação apresentada agora seria a terceira tentativa legal desde 2019, desta vez com uma nova estratégia e novamente tentando obter uma soma ainda maior.
O advogado Howard King busca um pagamento multimilionário
A disputa também envolve mudanças constantes na equipe jurídica que representa os irmãos. O advogado Howard King, conhecido por representar o rapper Dr. Dre em disputas legais, chegou inicialmente a exigir cerca de 213 milhões de dólares em negociações anteriores ligadas ao caso.
King também esteve envolvido em outros processos na indústria musical. Em 2024, ele representou o músico Marilyn Manson em um processo que acabou resultando no pagamento de cerca de 327 mil dólares em honorários advocatícios para Evan Rachel Wood, após um erro jurídico que ganhou repercussão pública.
Quando a exigência de 213 milhões de dólares não avançou, o caso passou para o advogado Mark Geragos. Curiosamente, Geragos já havia defendido Michael Jackson no passado e chegou a afirmar publicamente que antigas acusações contra o cantor eram tentativas de extorsão.
Geragos tentou avançar com uma nova proposta, desta vez buscando cerca de 40 milhões de dólares. No entanto, essa negociação também não avançou. Depois disso, Howard King voltou a representar os irmãos Cascio, que decidiram levar o caso novamente aos tribunais federais.
Para o advogado Marty Singer, a nova ação judicial não passa de uma tentativa frágil de obter um pagamento milionário. Ele afirmou que a família estaria “agarrando-se a qualquer argumento possível” para tentar justificar o novo processo.
A “segunda família secreta” de Michael Jackson
Um dos pontos mais marcantes da controvérsia é o contraste entre as acusações atuais e as declarações públicas feitas pela própria família ao longo de décadas. Em 2010, membros da família Cascio apareceram em uma entrevista nacional para o programa de Oprah Winfrey.
Durante a entrevista, Eddie Cascio, Frank Cascio e Marie-Nicole Porte foram apresentados como parte da chamada “segunda família secreta” de Michael Jackson, devido à proximidade que mantiveram com o cantor por muitos anos.
Na conversa, Oprah perguntou diretamente se algum deles havia presenciado qualquer comportamento impróprio por parte do artista. Os três responderam juntos que nunca havia ocorrido nada do tipo, balançando a cabeça e reafirmando a inocência do cantor.
Eddie chegou a dizer que Michael Jackson “não faria mal nem a uma mosca” e descreveu o artista como uma pessoa extremamente gentil. Ele também comentou o julgamento criminal enfrentado pelo cantor em 2005, afirmando que as acusações eram ridículas e que o artista havia sido injustamente transformado em alvo.
Naquele julgamento, Michael Jackson foi absolvido por unanimidade após um processo que durou cinco meses. Para os advogados do espólio, esse histórico torna a atual mudança de postura da família ainda mais difícil de compreender.
Outro ponto destacado é o livro publicado por Frank Cascio em 2011, no qual ele descreve sua longa amizade com Michael Jackson e afirma repetidamente que o cantor nunca prejudicou ele nem qualquer outra pessoa.
Segundo Marty Singer, as novas acusações surgirem mais de quinze anos após a morte de Michael Jackson também levanta questionamentos. Para ele, isso mostra como o enorme sucesso e a fortuna deixada pelo artista continuam atraindo disputas e controvérsias mesmo muitos anos depois de sua morte.




