O lançamento da cinebiografia de Michael Jackson chega cercado por um cenário que vai além do cinema. Antes mesmo de muitos assistirem ao filme, parte da crítica já parecia ter uma opinião pronta. Não se trata só de avaliar atuação, roteiro ou direção, mas de revisitar uma história que há décadas divide opiniões. E isso fica claro quando várias análises trazem mais julgamento do que avaliação do próprio filme.
Um dado chama atenção logo de início: ‘MICHAEL’ estreia com 27% de aprovação no Rotten Tomatoes, com base em 41 críticas. O número é baixo, mas o que mais surpreende é o motivo que aparece repetidamente. Muitas avaliações negativas destacam a ausência de foco nas acusações de abuso, tratando isso como um ponto central. No entanto, o período retratado pelo filme não aborda a fase em que essas acusações ganharam projeção pública, o que ajuda a explicar essa escolha narrativa. Ainda assim, a obra acaba sendo analisada não apenas como cinema, mas como parte de um debate mais amplo, onde a expectativa de alguns críticos já parece definida antes mesmo da história começar a ser contada.
A sombra de narrativas antigas
A comparação com o mentiroso documentário Leaving Neverland surge quase automaticamente. Produções que ”foram muito bem avaliadas’‘ no passado agora servem como referência para julgar a cinebiografia, criando uma sensação de contraste.
Isso levanta uma questão importante: até que ponto o filme está sendo avaliado por sua qualidade, e até que ponto ele está sendo colocado dentro de uma narrativa que já existe há anos?

Veículos como The Guardian e BBC reforçaram críticas pela falta de destaque para os momentos mais controversos da vida do artista. Já o The Times UK adotou um tom mais duro desde o início. Esse tipo de abordagem mostra que, em alguns casos, o filme parece carregar um peso maior do que apenas contar uma história, ele acaba sendo visto como parte de um debate que nunca realmente terminou.
O público diante da decisão
Diante disso, fica uma questão simples: quem decide o valor de um filme? A história do cinema mostra que nem sempre a crítica determina o sucesso. Muitas produções que começaram com avaliações negativas encontraram reconhecimento direto com o público.
No caso de Michael Jackson, esse fator ganha ainda mais força. Sua trajetória sempre despertou emoções intensas, tanto positivas quanto negativas. Por isso, a cinebiografia acaba se tornando mais do que um lançamento comum, é uma oportunidade para que cada pessoa tire suas próprias conclusões, sem depender totalmente de opiniões já estabelecidas.
No fim, a experiência no cinema ainda é algo pessoal. E talvez seja justamente isso que esteja em jogo agora: a chance de olhar para a história com novos olhos, deixando que o público tenha a palavra final.




