O Natal de 1991 em Mustique parecia o cenário perfeito para o isolamento. Acompanhada de seu marido, David Bowie, a supermodelo Imán sentia o mundo exterior como algo distante, até que uma mensagem criptografada de seu assistente rompeu a tranquilidade: o diretor John Singleton estava à sua procura para um projeto de escala global.
O Convite de Ano Novo
No primeiro dia de 1992, o telefone tocou. Para surpresa de Imán, o próprio Michael Jackson estava na linha. O objetivo era apresentar a história por trás de Remember the Time, o novo curta-metragem do álbum Dangerous. Michael e Singleton queriam que ela encarnasse ninguém menos que a Rainha do Egito.
Antes que Imán pudesse formular uma resposta, eles tentaram “vender” a ideia, afirmando que ela era a única mulher capaz de personificar a aura de Nefertiti. “Querida, eles já me tinham convencido no momento em que disseram ‘Rainha do Egito'”, recorda ela, rindo da insistência educada da dupla.

Dois Mundos, Um Sopro
O que mais marcou Imán não foi apenas o convite, mas a surrealidade do cenário doméstico: “Eu estava ao telefone com Michael Jackson e John Singleton, e sentado ao meu lado estava David Bowie. Eram dois mundos unidos em um só sopro”.
As filmagens revelaram uma produção extraordinária, focada na majestade do Egito Antigo e amparada por efeitos visuais inovadores para a época. O set era uma reunião de gigantes: Eddie Murphy trazia o alívio cômico e garantia que ninguém se levasse a sério demais, enquanto a lenda do basquete Magic Johnson completava o elenco estelar.
A Essência do Rei
Sobre a convivência com Michael, Imán é categórica ao descrever uma figura que ia além do mito pop. Ela descreve o artista como alguém cativante, engraçado e um cavalheiro absoluto. Michael conseguia ser, simultaneamente, comandante de sua arte e profundamente brincalhão.
”No seu âmago, ele era um ser humano doce, muito doce”, afirma a modelo. Para Imán, participar de Remember the Time não foi apenas um trabalho de atuação, mas a criação de uma memória indelével sobre a era em que o Rei do Pop transformou a música em um espetáculo de identidade e afirmação cultural.




