Opinião: A Arte do Mito contra a Inércia da Crítica | MJ Beats
Opinião: A Arte do Mito contra a Inércia da Crítica | Filme MICHAEL em Londres 1988 mjbeats.com .br

Opinião: A Arte do Mito contra a Inércia da Crítica

A chegada da cinebiografia Michael aos cinemas não é apenas um evento cinematográfico; é um teste de resistência para a sensibilidade da crítica especializada. Recentemente, vozes lúcidas como a de Luiz Filhozzi sintetizaram o que muitos sentem: existe um erro de base na forma como a imprensa tenta dissecar o filme. Em vez de analisarem a obra entregue – uma jornada de textura sensorial e energia técnica -, os críticos parecem frustrados por não encontrarem o dossiê investigativo que projetaram em suas próprias mentes.

​Filhozzi foi cirúrgico ao descrever Michael Jackson como uma construção artística deliberada. Ele não era apenas um homem, mas um mito que transformava a dor em espetáculo. Ao focar a narrativa até 1988, o filme respeita a cronologia histórica e a verdade dos fatos daquele período. Exigir que a obra priorize controvérsias futuras é, na verdade, uma tentativa de sequestrar a estética em favor do sensacionalismo. O filme não ignora as sombras; ele as insinua com uma sofisticação que a crítica clínica, em sua busca por escândalos, parece incapaz de processar.

​A Soberania do Público e o Cansaço Intelectual

​Neste cenário, a voz do público surge como a verdadeira bússola de valor. Como bem pontuado por este que vos escreve em algumas discussões recentes, há uma tendência de a crítica se colocar em uma posição de superioridade artificial, tentando ditar o que é “arte” através de um viés burocrático e, muitas vezes, preguiçoso. Quando o público se emociona e reconhece a genialidade técnica de Jaafar Jackson e a fidelidade aos movimentos que pararam o mundo, ele está validando a função primordial do cinema: a conexão humana.

​Triste é o dia para o crítico que ignora que a arte é, antes de tudo, uma experiência. O filme MICHAEL resgata a precisão técnica e a potência artística de um homem que suspendeu a realidade para bilhões de pessoas. Se a imprensa se sente desconfortável quando a arte volta ao centro do palco, o problema não está no filme, mas na incapacidade desses analistas de olharem para Michael sem as lentes de tribunal.

​O que assistimos na tela é um reposicionamento histórico. Para quem sai do cinema atravessado pela emoção e pela grandiosidade do maior artista de todos os tempos, a resposta é simples: o filme cumpriu sua missão. Nós, fãs, celebramos essa vitória da estética sobre o ruído, dando crédito a quem teve a coragem de apontar o óbvio: quando o tambor fala e a dança explode, a crítica burocrática se torna irrelevante.