Enquanto 62 países como Japão, Rússia, França e Brasil transformaram MICHAEL em um verdadeiro fenômeno de bilheteria, a China seguiu um caminho diferente. O filme encerra sua trajetória nos cinemas chineses em 23 de junho, com pouco mais de US$ 10 milhões arrecadados, um resultado considerado positivo, mas distante dos recordes alcançados em outros mercados.
Segundo Keen Zhang, presidente do fã-clube chinês MJJCN, o desempenho do longa não pode ser visto como um fracasso. Pelo contrário, o filme chegou a ocupar o primeiro lugar das bilheterias durante vários dias em sua semana de estreia, demonstrando que o público chinês lhe deu uma oportunidade significativa.
Um mercado historicamente difícil para cinebiografias musicais
De acordo com Zhang, um dos principais fatores foi o próprio perfil do mercado cinematográfico chinês. Filmes musicais e cinebiografias tradicionalmente não figuram entre os gêneros mais populares do país, que costuma favorecer produções de ação, fantasia e grandes épicos nacionais.
Outro ponto importante foi a divulgação. Diferentemente de outros territórios, nenhum integrante do elenco ou da equipe de produção visitou a China para promover o filme. Com isso, boa parte da divulgação ficou sob responsabilidade dos próprios fãs de Michael Jackson.
Além disso, os filmes de Hollywood vêm enfrentando dificuldades crescentes no país nos últimos anos. A preferência do público por produções locais aumentou consideravelmente, reduzindo o espaço para lançamentos internacionais.
A conexão cultural com Michael Jackson
Outro aspecto levantado por Keen Zhang envolve a relação histórica da China com a carreira de Michael Jackson. Como o país passou por um processo de abertura ao Ocidente apenas no final dos anos 1980, o álbum Bad foi o primeiro grande trabalho do artista a alcançar ampla exposição entre os chineses.
Por isso, muitos espectadores locais possuem uma identificação maior com a fase posterior da carreira do Rei do Pop. No entanto, a era Bad aparece apenas nos momentos finais da cinebiografia, o que pode ter reduzido parte da conexão emocional do público com a narrativa apresentada.
Somado a isso, a própria indústria cinematográfica chinesa atravessa um período de dificuldades. Diversos filmes nacionais de grande orçamento também tiveram desempenho abaixo do esperado recentemente, refletindo um momento de retração do mercado.
Mesmo sem repetir os resultados extraordinários vistos em outros países, MICHAEL terminou sua passagem pela China à frente de muitos lançamentos concorrentes, mantendo uma trajetória respeitável em um dos mercados mais desafiadores do mundo para produções musicais e biográficas.




