Você sabia? Michael Jackson queria lançar um álbum inteiro dentro de um videogame | MJ Beats
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Você sabia? Michael Jackson queria lançar um álbum inteiro dentro de um videogame

Muito antes de shows virtuais, eventos no metaverso e lançamentos exclusivos dentro de plataformas de jogos, Michael Jackson já imaginava uma maneira completamente diferente de apresentar sua música ao público: lançar um álbum inteiro exclusivamente por meio de um videogame.

A história foi revelada pelo desenvolvedor David Perry, conhecido por trabalhos como Enter the Matrix e Earthworm Jim. Em uma publicação, Perry relembrou uma colaboração criativa que desenvolveu com o Rei do Pop por volta de 2003 e que poderia ter mudado a relação entre música e videogames.

A proposta ia muito além de criar um jogo com músicas de Michael. A ideia era que o próprio videogame fosse o único lugar onde os fãs poderiam ouvir o novo álbum. Para escutar as faixas, seria necessário primeiro jogar.

O conceito também tinha um objetivo estratégico. Michael possuía uma base de fãs gigantesca, espalhada por diferentes países e gerações. A equipe imaginava que essa força poderia levar milhões de pessoas a experimentar videogames pela primeira vez.

A lógica era simples: se você quisesse ouvir o novo álbum do Rei do Pop, teria que pegar um controle e entrar no jogo.

Uma parceria que começou com The Matrix

A colaboração entre Michael e David Perry nasceu durante o desenvolvimento de Enter the Matrix. O Rei do Pop era fã da franquia e entrou em contato com Perry, convidando-o para Neverland Ranch para conhecer o jogo antes de seu lançamento.

O encontro rapidamente se transformou em algo maior. As conversas passaram por cinema, tecnologia, videogames, narrativa, efeitos visuais e novas formas de entretenimento.

Michael então propôs que os dois desenvolvessem um jogo original juntos. Perry chamou o roteirista David Freeman para ajudar na criação, e a equipe passou a realizar encontros criativos em Neverland.

O projeto não seria uma simples adaptação de Moonwalker ou um jogo baseado na carreira musical de Michael. O Rei do Pop queria algo completamente diferente.

A ideia era criar uma aventura de ação cinematográfica, com uma história mais séria e complexa. Curiosamente, Michael não seria o personagem principal.

Sua participação estaria concentrada na música original, direção criativa, conceitos visuais e ideias vindas de seus contatos nos universos do cinema e do entretenimento.

Para Michael, os videogames mereciam ser reconhecidos como uma grande forma de contar histórias, e não apenas como uma extensão do cinema ou da música.

De The Final War a Dark Rim

O projeto passou por várias transformações e recebeu diferentes nomes durante seu desenvolvimento. Entre eles estavam The Final War, Solo e The Darkness, até chegar ao título Dark Rim.

No início, a proposta era uma aventura de fantasia com reinos, guerras e magia. Com o tempo, porém, a história ganhou um tom mais sombrio e psicológico, explorando sonhos, consciência, melancolia e realidades escondidas além do sono.

Um dos conceitos mais interessantes era chamado de “remote possession”. O jogador poderia enxergar o mundo pelos olhos de uma águia e depois transferir sua consciência para outros personagens.

Isso permitiria assumir o controle de inimigos para entrar em castelos, controlar criaturas e utilizar diferentes corpos para superar desafios. A mecânica também fazia parte da própria narrativa, explorando questões de identidade, perspectiva e controle.

O universo do jogo ainda teria crianças capazes de ensinar habilidades especiais, uma guerra já acontecendo quando o jogador entrasse na história e um misterioso vilão manipulando os acontecimentos nos bastidores.

Apesar de anos de reuniões, documentos, desenhos e planejamento, Dark Rim nunca chegou a ser produzido. Um acordo com uma publicadora não foi finalizado e, após a morte de Michael em 2009, o projeto chegou ao fim.

David Perry afirmou que não pretende divulgar os materiais que ainda possui sobre o desenvolvimento.

Ainda assim, a ideia permanece impressionante pelo momento em que foi concebida. Em 2003, o Rei do Pop já imaginava uma experiência que uniria música, videogame, cinema e interação em um único projeto.

Hoje, shows virtuais dentro de jogos, eventos digitais, experiências imersivas e lançamentos exclusivos em plataformas de games fazem parte da indústria do entretenimento.

O que parecia futurista há mais de duas décadas já se tornou realidade. Michael Jackson simplesmente estava pensando nesse futuro muito antes de ele chegar.