No início dos anos 1990, dois nomes gigantes da música se encontraram em um estúdio de Hollywood. De um lado estava Michael Jackson, o Rei do Pop, que acabara de entrar em uma nova fase de sua carreira. Do outro, Slash, o guitarrista do Guns N’ Roses que havia se tornado um dos grandes símbolos do rock após o sucesso de Appetite for Destruction.
A aproximação, curiosamente, não partiu de Slash. Foi Michael quem o escolheu.
Michael já tinha o hábito de convidar grandes guitarristas para acrescentar uma identidade mais pesada às suas músicas. Eddie Van Halen havia participado de “Beat It”, em Thriller, enquanto Steve Stevens colocou sua marca em “Dirty Diana”, de Bad.
Para Dangerous, lançado em 1991, Michael buscava uma sonoridade mais contemporânea e agressiva. E encontrou em Slash exatamente o tipo de guitarrista que procurava.
Segundo Slash, em uma entrevista concedida à Guitar World em 1990, ele recebeu uma ligação de seu empresário e, posteriormente, de um engenheiro de som que havia trabalhado nos overdubs do primeiro álbum do Guns N’ Roses.
A mensagem era simples, mas difícil de acreditar: Michael Jackson queria que Slash fosse tocar em seu novo projeto.
Para o guitarrista, aquilo foi um choque. Ele não entendia por que havia sido escolhido, mas recebeu uma explicação que dizia muito sobre o que Michael procurava: o cantor havia gostado de sua maneira de tocar e de sua pegada.
O encontro que levou a “Give In To Me”
O convite, porém, não significou que os dois entrariam imediatamente em estúdio. Conciliar as agendas de duas das maiores estrelas da música daquele período levou tempo.
Mais de um ano se passou até que Michael Jackson e Slash finalmente trabalhassem juntos em um estúdio.
O encontro aconteceu no Record Plant Studios, em Hollywood, e deixou uma forte impressão no guitarrista.
Slash contou posteriormente à Kerrang! que a experiência foi quase surreal. Ao chegar ao estúdio, encontrou Michael acompanhado da atriz Brooke Shields, uma pessoa que, assim como o cantor, fazia parte das referências que haviam marcado sua juventude.
Depois de conversarem e saírem para jantar, Slash recebeu uma música para trabalhar: “Give In To Me”.
O resultado se tornou um dos momentos mais marcantes da colaboração entre os dois. A guitarra de Slash trouxe peso e atitude à faixa, enquanto Michael manteve o controle sobre a identidade pop e dramática da composição.
A parceria, entretanto, não terminou ali.
Além de “Give In To Me”, Slash também participou da introdução de “Black or White”, outro destaque de Dangerous. A presença do guitarrista ajudou a reforçar uma característica que Michael já havia explorado em trabalhos anteriores: a capacidade de aproximar o pop de elementos do rock sem perder sua própria identidade.
Uma parceria que atravessou os anos
A colaboração entre os dois continuou depois de Dangerous. Slash voltou a trabalhar com Michael em “D.S.”, de HIStory: Past, Present and Future, Book I, lançado em 1995.
Dois anos depois, apareceu novamente em “Morphine”, presente no álbum de remixes Blood on the Dance Floor: HIStory in the Mix.
A parceria ainda chegaria a Invincible, de 2001, quando Slash participou de “Privacy”.
Ou seja, o encontro iniciado durante a preparação de Dangerous não foi apenas uma colaboração pontual. Ao longo de mais de uma década, Slash apareceu em diferentes momentos da discografia de Michael Jackson, sempre associado a uma sonoridade mais pesada.
E havia também os palcos.
Os dois protagonizaram um dos momentos mais lembrados da década de 1990 durante a apresentação de “Black or White” no MTV Video Music Awards de 1995. Anos depois, voltaram a dividir o palco nos shows especiais que celebraram os 30 anos de carreira de Michael Jackson, realizados em 2001.
A história entre Michael Jackson e Slash, portanto, começou com um telefonema inesperado e terminou se transformando em uma das parcerias mais curiosas entre o pop e o rock.
Michael não procurou simplesmente um guitarrista famoso. Ele procurou um som específico e enxergou em Slash a pessoa capaz de entregá-lo.
O resultado ficou registrado em músicas como “Give In To Me”, “Black or White”, “D.S.”, “Morphine” e “Privacy”, além de performances que ajudaram a transformar a colaboração entre os dois em parte da HIStória da música.




