O Espólio de Michael Jackson acaba de protagonizar um movimento inexplicável no Brasil, culminando no anúncio do afastamento de Rodrigo Teaser – o maior artista tributo do mundo – da TV aberta.
A situação veio a público através de um desabafo incisivo e visivelmente abalado de Rodrigo. Convidado para o SBT, o artista já estava no camarim, maquiado e com seus bailarinos prontos para performar os clássicos Billie Jean, Bad e Thriller. Nos minutos finais, a emissora foi notificada de uma proibição direta: o uso das composições havia sido vetado pela gravadora, a mando do Espólio. A determinação é clara: nenhum cover tem mais permissão para usar as músicas na TV.
Para quem passou os últimos 14 anos defendendo o legado de Michael nas épocas mais sombrias de falsas acusações, a atitude soou como traição. “Eu nunca esperei reconhecimento deles, porque são engravatados, pessoas de negócios. O reconhecimento que importa vem dos fãs e da família”, desabafou Rodrigo. “Mas eu também não esperava uma facada nas costas. Uma atitude contra uma vida que eu dediquei para falar positivamente sobre ele.”
A frustração culminou em uma decisão drástica: Rodrigo anunciou que não aparecerá mais caracterizado em programas de televisão até que o veto caia. Para ele, não faz sentido se vestir de Michael Jackson se não for para entregar a arte e a excelência que o ídolo exige.
O fator “Trilha Branca” e a escolha burra
A diretriz expõe uma falha bizarra de music business. O catálogo de Michael Jackson tem um custo elevado. Emissoras de TV não pagam royalties caros para usar a música como som de fundo; preferem recorrer às chamadas “trilhas brancas” (músicas genéricas sem direitos).
A música de Michael só toca na TV – e só gera lucro de direitos autorais para o próprio Espólio – quando artistas como Rodrigo performam. Ao proibir os covers, os administradores não estão protegendo a obra; estão, na prática, secando a própria fonte de renda e impedindo que o catálogo alcance o veículo de maior massa do Brasil. É um boicote à própria arrecadação.
O abismo com o modelo de Elvis Presley
A miopia fica ainda mais evidente quando comparada a outras lendas. O Espólio de Elvis Presley, por exemplo, abraça, credencia e incentiva seus imitadores, entendendo que eles são ferramentas de marketing vitais e gratuitas que mantêm a máquina do Rei do Rock girando. Já o Espólio de MJ escolhe o bloqueio.
O contraste final beira a ironia. Há poucos dias, em uma visita a Hayvenhurst, o próprio Prince Jackson agradeceu a Rodrigo: “Obrigado por tudo aquilo que você tem feito pelo meu pai“. A família reconhece e agradece quem mantém a magia viva. Mas os burocratas, alheios ao palco e ao público, seguem fechando as portas.




