O DOSSIÊ SNEDDON — Parte II: Jordan Chandler: como começaram as acusações de 1993 | MJ Beats
Michael Jackson visita Benny Hill em Londres, na companhia de Jordan Chandler (1992)

O DOSSIÊ SNEDDON — Parte II: Jordan Chandler: como começaram as acusações de 1993

Na imagem estão Brett Barnes e o comediante Benny Hill junto a Michael Jackson

No verão americano de 1993, o nome de Michael Jackson passou a ocupar as manchetes internacionais não por um novo lançamento musical ou recorde de vendas, mas por alegações que alterariam o rumo de sua carreira e de sua vida pessoal. No centro do primeiro grande litígio enfrentado pelo artista estava Jordan Chandler, um garoto de 13 anos de idade que vivia em Los Angeles.

A Origem da Amizade e o Convivência com a Família

A relação entre Michael Jackson e Jordan Chandler começou de forma fortuita em maio de 1992. O artista passava por um problema mecânico em um veículo alugado da empresa Rent-A-Wreck, cujo proprietário era David Schwartz, então marido de June Schwartz — a mãe de Jordan.

A partir desse encontro casual, desenvolveu-se uma aproximação entre Jackson e o jovem. Nos meses seguintes, Jordan passou a frequentar o Rancho Neverland e a acompanhar o cantor em eventos e trechos da turnê do álbum Dangerous. A relação incluía também a convivência com a mãe de Jordan e com sua meia-irmã.

A Dinâmica Familiar e as Tensões Iniciais

A dinâmica familiar dos Chandler era marcada por divisões internas e conflitos judiciais prévios. Os pais do garoto, Evan Chandler e June Schwartz, estavam separados, e Evan — um dentista e aspirante a roteirista residente em Los Angeles — mantinha disputas por guarda e pagamentos de pensão alimentícia.

Enquanto a mãe apoiava a convivência do filho com o cantor, Evan Chandler demonstrava insatisfação crescente com o afastamento do menino de sua rotina diária e com a forte influência de Jackson sobre a dinâmica familiar.

O Desdobramento sob Efeito Médico e os Primeiros Relatos

As alegações de toques inadequados surgiram no ambiente familiar antes de chegarem às autoridades públicas. O ponto de virada na narrativa ocorreu após um procedimento odontológico conduzido por Evan Chandler em seu consultório, no qual o jovem foi submetido a sedação.

Foi nesse contexto que teriam emergido os primeiros relatos do garoto sobre o relacionamento com o artista. Pouco tempo depois, Evan contratou advogados especializados em direito de família e em contencioso civil para intermediar conversas com a equipe legal de Michael Jackson, alegando danos psicológicos ao filho.

A Chegada às Autoridades de Los Angeles e Santa Bárbara

O caso extrapolou a esfera das negociações privadas em meados de agosto de 1993. Relatos sobre o caso foram encaminhados ao Departamento de Serviços Infantis e Familiares do Condado de Los Angeles (DCFS) e à Polícia de Los Angeles (LAPD).

Como o Rancho Neverland — propriedade onde parte dos encontros e hospedagens ocorria — ficava localizado em Los Olivos, a investigação foi expandida e assumida formalmente pelo Departamento do Xerife e pela Promotoria do Condado de Santa Bárbara, comandada pelo promotor Thomas Sneddon Jr.

A partir daquele momento, uma disputa privada entre advogados de família transformou-se em uma mega investigação criminal acompanhada em tempo real pela imprensa mundial.


Esta é a Parte II da série especial O DOSSIÊ SNEDDON. No próximo artigo, entenda o papel de Evan Chandler, as gravações telefônicas interceptadas e as acusações de extorsão que marcaram os bastidores de 1993.