O DOSSIÊ SNEDDON — Parte III: Evan Chandler e as gravações de Anthony Pellicano | MJ Beats
Trecho da gravação de Evan Chandler admitindo extorsão.

O DOSSIÊ SNEDDON — Parte III: Evan Chandler e as gravações de Anthony Pellicano

Se a figura de Jordan Chandler esteve no centro emocional do escândalo de 1993, foi o seu pai, Evan Chandler, quem conduziu os bastidores operacionais, financeiros e jurídicos da crise. O comportamento do dentista e aspirante a roteirista nos meses que antecederam a denúncia formal tornou-se uma das peças mais debatidas e controversas de todo o caso.

O Perfil Financeiro e as Ambições de Evan Chandler

Na época dos fatos, Evan Chandler enfrentava severas pressões financeiras. Documentos apresentados posteriormente demonstraram que ele acumulava dívidas expressivas, incluindo pendências de pensão alimentícia que ultrapassavam US$ 60 mil. Paralelamente, Chandler alimentava o desejo de ingressar no mercado de cinema de Hollywood como roteirista de projetos audiovisuais.

Após aproximar-se da rotina do cantor por meio do filho, Evan buscou utilizar o canal de comunicação aberto com Michael Jackson para solicitar financiamento para seus projetos de roteiro e obter contatos estratégicos na indústria do entretenimento. Diante das recusas do artista e de sua equipe em atender às demandas financeiras, a relação cordial deteriorou-se rapidamente.

A Interceptação Telefônica e Anthony Pellicano

Para responder à crescente pressão e prevenir possíveis ações judiciais, a equipe de defesa de Michael Jackson contratou Anthony Pellicano, um famoso e influente investigador particular de Los Angeles conhecido por atender celebridades de alto perfil.

Pellicano conseguiu obter gravações de conversas telefônicas mantidas por Evan Chandler durante o período de negociações privadas. Os áudios capturavam diálogos detalhados de Chandler com seu advogado da época e com familiares sobre as estratégias para abordar o cantor antes de qualquer formalização às autoridades policiais.

O Conteúdo das Gravações: A Extorsão

Nas gravações que vieram a público através da imprensa, Evan Chandler utilizou um tom agressivo e categórico para descrever os cenários possíveis caso Michael Jackson não cedesse às suas exigências financeiras. Em um dos trechos mais famosos do áudio, Chandler afirmou:

“Se eu levar isso adiante, eu ganho em grande estilo. Não há como eu perder. Eu vou conseguir tudo o que quero e eles serão totalmente destruídos para sempre… Para ele, será o fim. O estrago será irreversível. Ele não vai vender mais nenhum disco.”

Para a equipe de defesa de Jackson, a gravação constituiu uma prova irrefutável de tentativa de extorsão. Os advogados sustentaram que as acusações de abuso foram fabricadas como uma ferramenta de chantagem financeira idealizada por Evan, motivada por ganância e desespero econômico.

A Interpretação da Acusação e do Ministério Público

Por outro lado, a promotoria comandada por Tom Sneddon e os advogados da família Chandler rebateram a tese de extorsão. A acusação alegava que as declarações de Evan, embora ostensivas e focadas em termos financeiros, refletiam a revolta de um pai diante do que acreditava ter acontecido com seu filho, e que a busca por reparação econômica não anulava a gravidade dos relatos apresentados pelo garoto.

Apesar da controvérsia e da existência das fitas, o material não impediu que o caso avançasse na esfera criminal. A fita de Pellicano, contudo, tornou-se o principal pilar público da defesa do cantor para demonstrar ao mundo que as alegações de 1993 nasceram sob a sombra de um faturamento financeiro premeditado.


Esta é a Parte III da série especial O DOSSIÊ SNEDDON. No próximo artigo, entenda o que aconteceu na invasiva revista íntima executada pela polícia de Santa Bárbara no Rancho Neverland em dezembro de 1993.