O DOSSIÊ SNEDDON — Parte X: A traição de Martin Bashir e a volta de Tom Sneddon | MJ Beats
Martin Bashir e Michael Jackson no "Living with Michael Jackson"

O DOSSIÊ SNEDDON — Parte X: A traição de Martin Bashir e a volta de Tom Sneddon

Quase uma década após o esvaziamento das investigações de 1993, Michael Jackson buscou uma forma de limpar definitivamente sua imagem pública e mostrar sua verdadeira rotina como pai e artista. Acreditando estar em boas mãos devido ao histórico do jornalista britânico Martin Bashir – famoso por sua entrevista com a Princesa Diana em 1995 -, o cantor permitiu que câmeras acompanhassem sua vida por oito meses. O resultado, no entanto, foi o estopim da maior crise de sua vida.

A Traição e a Edição Manipulada

O documentário Living with Michael Jackson foi ao ar primeiramente no Reino Unido pela emissora ITV, no dia 3 de fevereiro de 2003, e dias depois nos Estados Unidos pela rede ABC, atraindo dezenas de milhões de espectadores. Em vez do retrato honesto prometido, o público assistiu a uma obra moldada por sensacionalismo e má-fé.

Por meio de narrações de tom sombrio e cortes tendenciosos, Bashir transformou momentos inocentes em cenas perturbadoras. O foco principal do repórter concentrou-se na amizade do cantor com o jovem Gavin Arvizo, um garoto sobrevivente de câncer. Em um dos trechos mais polêmicos, Jackson admitiu que cedia sua própria cama para que as crianças dormissem enquanto ele passava a noite no chão – um comentário retirado de contexto que gerou histeria imediata na mídia.

O Contra-Ataque com as Câmeras Privadas

Sentindo-se traído pela falsidade do jornalista, Michael Jackson reagiu de forma inédita. Durante os oito meses de gravação, o artista havia exigido que seu próprio cinegrafista pessoal, Hamid Moslehi, filmasse as entrevistas simultaneamente.

Em 20 de fevereiro de 2003, a rede Fox exibiu o especial The Michael Jackson Interview: The Footage You Were Never Meant to See (As Imagens que Você Não Deveria Ver). O programa revelou as fitas brutas que expunham a hipocrisia de Bashir. Nas imagens de bastidores, o jornalista britânico aparecia tecendo elogios extravagantes a Jackson, enaltecendo sua espiritualidade, a forma maravilhosa como tratava as crianças e a beleza do Rancho Neverland – declarações diametralmente opostas ao tom acusatório que ele gravou depois nos estúdios em Londres.

A Fagulha para Tom Sneddon

Embora o contra-ataque televisivo de Jackson tenha exposto a falta de ética de Martin Bashir, o estrago público já estava feito. No Condado de Santa Bárbara, o promotor Tom Sneddon acompanhou a repercussão com atenção redobrada.

Para Sneddon, o documentário representava a oportunidade processual que ele aguardava por quase dez anos. A aparição pública de Gavin Arvizo ao lado do cantor forneceu ao promotor o que ele precisava: um novo alvo para justificar a reabertura formal de investigações contra o artista. Sob o pretexto de apurar o bem-estar do garoto exibido na televisão, o Ministério Público de Santa Bárbara mobilizou recursos estaduais e o Departamento de Serviços Infantis (DCFS) para rastrear a família Arvizo.

O “Cachorro Louco” – apelido de Sneddon nos bastidores jurídicos – estava oficialmente de volta à caça. E, desta vez, o embate forçaria Michael Jackson a enfrentar os tribunais para provar sua inocência definitiva.


Esta é a Parte X e o encerramento do lote desta semana da série especial O DOSSIÊ SNEDDON. Nos próximos artigos, a partir do próximo sábado, entraremos no turbulento ano de 2005: entenda quem era a família Arvizo, a invasão de 2003 e as batalhas travadas dentro do tribunal de Santa Maria.