Madrid – Lynn Goldsmith não é apenas uma fotógrafa, mas uma verdadeira cronista visual do rock. Com um portfólio que inclui nomes como Bruce Springsteen, Prince e Sting, ela também teve o privilégio – e o desafio – de trabalhar durante mais de oito anos com Michael Jackson. Em uma entrevista recente ao programa A Vivir, da Cadena SER, Goldsmith compartilhou lembranças raras e íntimas de sua convivência com o Rei do Pop, revelando aspectos pouco conhecidos de sua personalidade e método de trabalho.
Para ela, Michael Jackson era um misto de genialidade e inocência. “Ele era como uma criança, então sempre era divertido estar com ele. Muito mais divertido do que apenas tirar fotos”, recorda. Sua energia, sua maneira lúdica de ver o mundo e sua inteligência faziam com que cada sessão fosse uma experiência única. Mas havia também um outro lado: o do perfeccionista meticuloso, que desejava manter o controle absoluto sobre tudo e todos ao seu redor.
Goldsmith explica que Jackson confiava plenamente nela, o que tornava o trabalho mais fluido. No entanto, com aqueles de quem não se sentia próximo, a história era outra. “Ele queria ter tudo sob controle, especialmente com pessoas novas. Mas quando confiava em alguém, dava espaço total à criatividade”, diz a fotógrafa. Foi essa abertura que permitiu capturar algumas das imagens mais icônicas do astro, misturando sua visão artística com as ideias do próprio cantor.

Michael Jackson era um artista completo – e isso se refletia até na fotografia. “Ele chegava com suas próprias ideias. Sabia exatamente o que queria, o que fazia todo sentido, porque as pessoas inteligentes são assim”, destaca Goldsmith. Essa abordagem não era comum entre todos os músicos da época. Segundo ela, alguns artistas são mais colaborativos e querem fazer parte do processo, enquanto outros preferem apenas seguir instruções. Jackson, sem dúvida, estava na primeira categoria.
Ao longo da carreira, Goldsmith imortalizou os maiores nomes da música, mas poucos foram tão fascinantes quanto Michael Jackson. Seu perfeccionismo, sua capacidade de inovação e sua eterna busca pelo extraordinário faziam de cada sessão um espetáculo à parte. “Ele não era só um astro, ele era um visionário”, conclui a fotógrafa.
A relação entre Michael Jackson e a câmera nunca foi apenas sobre imagens. Era sobre narrativa, sobre identidade e sobre arte. Cada clique revelava um pedaço do mito, e, pelas lentes de Lynn Goldsmith, o mundo pôde enxergar não apenas o ícone, mas também o homem por trás da lenda.