Em junho de 1977, Michael Jackson recebeu a proposta de interpretar o Espantalho em The Wiz, adaptação musical baseada no clássico livro O Maravilhoso Mágico de Oz, de L. Frank Baum. O projeto seria dirigido por Sidney Lumet e teria um elenco formado exclusivamente por artistas negros. Para Michael, aceitar o convite significava mais do que atuar em um filme. Era a chance de tomar uma decisão própria, longe das estruturas rígidas que sempre controlaram sua carreira.
A filmagem aconteceria em Nova York, no Astoria Studios, no Queens. Ir para lá por conta própria foi, até aquele momento, o gesto mais ousado de independência que ele havia feito. Michael não queria apenas cumprir agenda. Ele queria crescer, aprender e se posicionar como artista além do grupo familiar. Nova York representava liberdade criativa, algo que ele buscava há anos.

Polêmicas, pressões e bastidores intensos
A produção enfrentou problemas desde o início. Diana Ross foi escalada como Dorothy, papel eternizado por Judy Garland na versão clássica de O Mágico de Oz. O público estranhou a escolha, já que Ross tinha 33 anos, enquanto Dorothy era uma adolescente na história original. Muitos defendiam que Stephanie Mills, que havia brilhado na Broadway, fosse a escolha mais natural.
Nos bastidores, a tensão era visível. Berry Gordy, fundador da Motown, teve papel importante nas decisões de elenco, e as disputas internas afetaram o clima da produção. O filme acabou sendo um fracasso comercial em 1978, mas essa queda não atingiu Michael da mesma forma que os demais envolvidos. Pelo contrário, os críticos reconheceram que ele entregou o desempenho mais marcante do longa.
Durante as gravações, Michael levou seu corpo ao limite. Em uma das sequências de dança, chegou à exaustão e sofreu um colapso físico, com um vaso sanguíneo rompido após ensaios intensos. Ele queria que cada movimento fosse perfeito. Essa dedicação mostrava que ele não estava ali apenas como coadjuvante de luxo. Ele estava se preparando para algo maior.
O que muitos não perceberam na época é que The Wiz foi o ponto de virada. Foi nesse projeto que Michael conheceu o produtor musical Quincy Jones, parceria que resultaria no álbum Off the Wall e, pouco depois, em Thriller. O filme pode ter fracassado nas bilheterias, mas ali nasceu a fase mais revolucionária de sua carreira. The Wiz não foi um erro. Foi o início da independência que transformaria Michael Jackson no maior artista da música mundial.




