A expectativa em torno de Michael, a cinebiografia dirigida por Antoine Fuqua, transcende o interesse cinematográfico comum – trata-se da preservação de um legado técnico e humano. Em uma recente e emocionante entrevista ao The Kelly Clarkson Show, Jaafar Jackson e o jovem Juliano Valdi abriram as cortinas sobre o rigoroso processo de se tornarem, em diferentes fases, o maior artista de todos os tempos.
A dinâmica é rara: dois atores dividindo a mesma alma em cena. Para Jaafar, o desafio veio com o peso da linhagem. “Para mim, foi melhor, honestamente, porque me ajudou a focar na preparação”, revelou o ator, que enfrentou um processo de audição de dois anos antes de ser confirmado no papel. Após a escolha, ele dedicou mais um ano e meio para “lapidar os pequenos detalhes e nuances”. Já Juliano, responsável por viver os anos formativos do astro, mergulhou nos vídeos do Jackson Five para capturar a energia crua e a coreografia distinta da era Motown.
A Voz e o Método
Um dos pontos mais impressionantes da transformação de Jaafar é a mimetização da voz. Com um timbre natural diferente do de seu tio, ele buscou uma técnica de imersão: “Li muitos livros usando a voz dele. A cada livro, eu ficava melhor”, explicou. O objetivo era a naturalidade orgânica, fugindo da caricatura. Em uma parte da entrevista, ele chega a dizer que, às vezes, estava em um supermercado e respondia a alguém sem pensar: “Espere, isso soou como o Michael”.

Essa busca pela verdade cênica foi inspirada em gigantes do método, como Daniel Day-Lewis, Joaquin Phoenix e Christian Bale. Jaafar estudou a ética de trabalho desses atores para entender como eles “desaparecem” nos papéis. “Eu queria ver como era a ética de trabalho deles ao incorporar um personagem e aplicar isso ao que funcionaria para mim”, afirmou.
Mantras, Manifestação e o Homem no Espelho
Mergulhar nos arquivos pessoais de Michael Jackson trouxe revelações profundas para Jaafar. Além da técnica de palco, ele descobriu o combustível espiritual do Rei do Pop. “O que mais me surpreendeu foi ter acesso a muitas de suas notas pessoais. Percebi que ele fazia mantras e afirmações“, contou Jaafar. Michael escrevia tudo o que queria alcançar e colava em espelhos e até no teto, para visualizar seus objetivos todos os dias – uma disciplina que ele descreveu como a “busca pela grandeza”.
A conexão com o lado artístico também se estendeu ao desenho. Michael usava a pintura como uma forma de escapismo e terapia, algo que inspirou Jaafar a retomar o hábito de desenhar durante as pausas no set. “Fiquei impressionado com o quão incrível ele era. Comecei a fazer alguns desenhos também e fui melhorando”.
O Surrealismo do Set
Trabalhar com um elenco de peso, como Colman Domingo (indicado ao Oscar) no papel de Joseph Jackson e Nia Long como Katherine, trouxe uma camada adicional de realidade para Jaafar. Ele descreveu o momento em que viu Domingo caracterizado pela primeira vez como seu avô: “Foi o meu primeiro teste de câmera… ele se aproximou, nos abraçamos e ele fez gestos tão semelhantes aos de Joseph que foi surreal para mim”.
Juliano Valdi, por sua vez, trouxe o frescor da nova geração, confessando que seu videogame favorito no momento é, apropriadamente, Michael Jackson’s Moonwalker. O jovem talento, que encerrou a entrevista demonstrando passos de dança precisos, personifica a semente que Michael plantou no mundo – a prova de que sua arte continua a educar e afirmar identidades.

O filme Michael não promete ser apenas um registro cronológico, mas uma exploração da essência humana e artística de um homem que, mesmo sob o escrutínio global, nunca deixou de escrever seu próprio destino.
No Brasil, a pré-estreia de MICHAEL está marcada para esta terça-feira, 21 de Abril. Estreia oficial no dia 23 de Abril. Nos Estados Unidos, só chega na sexta, dia 24 de Abril.




