Por Jackeline Bernardo, Creator da Michael Jackson Culture.
Assistir à pré-estreia, cercada por pessoas que carregavam exatamente o mesmo
sentimento, a mesma empolgação e o mesmo olhar ao ouvir o nome de Michael,
foi, sem dúvida, a parte mais marcante de toda a experiência. Foi como sair de um
lugar solitário e perceber que esse afeto sempre teve um espaço coletivo, vivo,
pulsando em outras pessoas.
O filme retrata a biografia do Rei do Pop de forma respeitosa, impactante e
profundamente sensível. A atuação de Juliano Krue como Michael na infância
consegue capturar algo muito essencial, a delicadeza de uma pureza quase
intocada, e atravessada ao mesmo tempo por uma dor que já se anuncia. É possível
sentir, em cada cena, esse contraste onde a luz e a ferida crescem juntas.
Desde os primeiros minutos, o coração já dispara. É impossível não se comover
com a história, sendo fã ou não. Algo ali que atravessa qualquer distância uma
humanidade que prende e que aproxima. Quando Jaafar Jackson assume o papel
de Michael Jackson, o filme ganha um novo brilho. Ainda existe aquele olhar
curioso, quase ingênuo, que acompanha Michael desde o início, mas agora ele vem
acompanhado de algo mais denso, o nascimento de um perfeccionismo que o
atravessa da adolescência até a vida adulta.
Acompanhar esses passos na carreira de Michael poderia facilmente ter sido
apenas mais uma experiência comum de assistir à biografia de um artista. Mas não
foi. Esse filme escapa desse lugar. Em muitos momentos, parecia que não era uma
representação era como se o próprio Michael estivesse ali.
As performances são arrepiantes. Cada movimento de Jaafar, combinado com a
memória viva que carrego dos gestos tão marcantes de Michael, criava uma mistura
quase insuportável de emoção. Eu me via sorrindo e, ao mesmo tempo, lutando
contra o choro ou simplesmente deixando ele vir.
Também me chamou muita atenção o cuidado minucioso com os figurinos, que são
parte essencial da construção da imagem de Michael Jackson. O brilho, os paetês,
os bordados tudo ali carrega memória. As icônicas military jackets, com suas
ombreiras marcadas, detalhes dourados e uma estética sofisticada, não são
apenas roupas, são símbolos. Ver o início da era Thriller sendo traduzido através
desses elementos visuais reforça o quanto Michael entendia a própria imagem
como extensão da sua arte. Para finalizar, essa é, sem dúvida, a melhor biopic já
feita em minha opinião. Um filme que eu assistiria incontáveis vezes e, ainda assim,
o sentimento permaneceria intacto, intenso, pulsante, como se fosse sempre a
primeira vez.

Jackeline Bernardo é Creator do Hub Criativo Michael Jackson Culture.




