Preta Gil: a artista que sonhou com um Rei do Pop mais mais brasileiro e mais livre | MJ Beats
Preta Gil em frente ao um painel de Michael Jackson (IA)

Preta Gil: a artista que sonhou com um Rei do Pop mais mais brasileiro e mais livre

A música brasileira ficou de luto neste domingo, 20 de julho de 2025, com a confirmação da morte de Preta Gil, aos 50 anos, nos Estados Unidos, após uma longa batalha contra o câncer colorretal. Cantora, apresentadora, atriz e ativista, Preta foi muito mais do que a filha de Gilberto Gil. Ela foi uma força transformadora na cultura brasileira, abrindo caminhos para a liberdade de corpos, vozes e identidades — principalmente para mulheres negras e pessoas LGBTQIA+.

Dona de uma personalidade intensa e acolhedora, Preta construiu uma carreira marcada pela mistura: entre o pop e o samba, entre o afeto e o enfrentamento. Deu visibilidade à pluralidade que sempre existiu no Brasil, mas que por muito tempo foi empurrada para as margens. Fez da sua trajetória um ato contínuo de resistência e alegria.

✨ Um olhar único sobre Michael Jackson

Em meio a tantas homenagens que Preta prestou à música nacional e internacional, uma em especial chama atenção: sua visão sobre Michael Jackson. Em 2008, ao ser convidada pela revista Época para escrever sobre os 50 anos do Rei do Pop, Preta não se limitou a elogiar sua genialidade. Ela imaginou — com afeto, crítica e poesia — como seria um Michael Jackson mais próximo de suas raízes, mais conectado à negritude, mais livre para ser quem era:

“Depois do Jackson 5 e Thriller, deveria ter parado no tempo. Vejo um negão, cabelo black, nariz grande, ícone negro. Fisicamente parecido com o irmão mais velho, Jermaine. Poderia ficar alguns anos afastado da música, mas voltaria com energia, genialidade e negritude. Poderia estar casado com branca ou negra, ter filhos naturais e vida sexual ativa. Os filhos, mesmo que com uma branca, seriam mulatos com narigão. Não moraria em Neverland, talvez em Nova York, sendo um cara mais do mundo. Viria ao Brasil com Quincy Jones no Carnaval. Aí eu mostraria umas músicas a ele e, quem sabe, faria uma parceria com Carlinhos Brown.”

Essa declaração revela não apenas uma admiração artística, mas um desejo profundo de conexão: entre o artista e as raízes, entre o gênio e sua humanidade. Para Preta, Michael era também um espelho — um ícone negro que, ao se afastar da própria imagem, deixou uma ferida simbólica em muitos que se viam nele.

🖤 Em 2009, a comoção

Durante o funeral global de Michael Jackson, transmitido para bilhões ao redor do mundo, Preta Gil usou as redes sociais para comentar o momento mais tocante da cerimônia:

“Achei muito surpreendente o carinho de todos da família com os filhos, achei Paris uma menina muito corajosa e carinhosa.”

A frase, publicada no calor da emoção, mostra uma Preta emocionada como tantos fãs brasileiros, tocada pela dimensão familiar do ídolo e pela exposição dos sentimentos dos filhos, especialmente da pequena Paris.

🎭 Da infância musical ao legado

Em entrevista a Marília Gabriela, Preta sintetizou sua formação artística com uma frase que vale como testamento:

“Fui criada de uma maneira muito eclética, escutava de Michael Jackson a Genival Lacerda. Aos 16 anos, já estudava teatro e queria cantar.”

Essa combinação improvável — entre o rei do forró e o rei do pop — representa tudo o que Preta Gil foi: um símbolo de mistura, de liberdade e de autenticidade. Sua arte e seu olhar generoso fizeram dela uma referência única na cultura brasileira.

🌹 Despedida

Preta Gil se despede do mundo deixando um legado que, como o de Michael Jackson, transcende a arte. Ambos transformaram suas experiências em amor, música e presença.

Na MJ Beats, nos unimos ao luto e à celebração da vida dessa mulher que ousou imaginar um Michael mais brasileiro, mais livre e ainda mais verdadeiro. E que, com isso, revelou também o quanto ela mesma era extraordinária.

Nossos sentimentos a seus familiares e seus fãs e admiradores.