No início dos anos 2000, Michael Jackson não estava apenas defendendo sua arte — ele estava tentando preservar o controle de um dos ativos musicais mais valiosos do mundo: sua participação de 50% na Sony/ATV, a gigante editora que reunia seu catálogo ATV e milhares de obras de outros artistas.
1. Invincible: um álbum caro e mal aproveitado
Lançado em outubro de 2001, Invincible foi o álbum mais caro de sua carreira, com custos de estúdio estimados entre US$ 30–40 milhões e US$ 25 milhões em marketing. A expectativa era de um lançamento global de grande impacto. Mas a realidade foi outra: não houve turnê, os singles foram lançados de forma irregular e, após poucos meses, a promoção foi interrompida.
Parte disso coincidiu com o impacto dos ataques de 11 de setembro, que mudaram radicalmente a agenda da indústria musical, levando muitos artistas a adiar turnês e projetos. No caso de MJ, porém, esse evento global apenas acelerou um enfraquecimento que já vinha acontecendo: o relacionamento com a Sony estava se deteriorando antes mesmo da tragédia.
2. O conflito com a gravadora

Michael queria mais controle sobre seus masters e sobre a Sony/ATV, mas esbarrava na estrutura corporativa da Sony e nas cláusulas contratuais. Em 2002, rompeu o silêncio e acusou publicamente o então presidente da Sony Music, Tommy Mottola, de racismo e de não apoiar adequadamente o álbum. Essas declarações aconteceram no Harlem, ao lado do ativista Al Sharpton, e ecoaram em toda a indústria.
O clima azedou a ponto de a promoção de Invincible perder prioridade na gravadora, deixando MJ sem o suporte que esperava para um projeto desse porte.
3. Dívidas e risco sobre o catálogo
Ao mesmo tempo, Michael enfrentava altos custos de vida e dívidas significativas. Sua participação na Sony/ATV passou a servir como garantia para empréstimos com o Bank of America e, posteriormente, com a Fortress Investment Group. Esses contratos incluíam opções para que a Sony comprasse parte da sua fatia caso ele não conseguisse pagar.
4. O acordo de 2006: fôlego com concessões
Em 2006, Michael conseguiu um refinanciamento com a Fortress, que aliviou momentaneamente sua situação financeira. No entanto, a Sony ganhou maior influência operacional sobre a editora e a opção de aumentar sua participação no futuro. Foi uma vitória parcial: manteve sua posição como sócio, mas abriu caminho para que a gravadora tivesse mais poder sobre o império que ele ajudou a construir.
5. Uma batalha que marcou seu legado
Entre 2001 e 2006, Michael Jackson viveu uma das fases mais desafiadoras de sua carreira. O que começou como um desacordo artístico se transformou numa batalha por controle e sobrevivência financeira. Até hoje, Invincible e o embate com a Sony são lembrados como um exemplo de como fatores externos, conflitos internos e estratégias corporativas podem redesenhar o destino de um artista — mesmo quando ele é o maior astro do planeta.





