A história de "Gone": escrita para Michael, mas lançada pelo *NSYNC | MJ Beats
A história de "Gone": escrita para Michael, mas lançada pelo *NSYNC | mjbeats4703915 2048x2048 1 scaled

A história de “Gone”: escrita para Michael, mas lançada pelo *NSYNC

O período de seleção de repertório para o álbum Invincible foi um dos mais férteis e disputados da história da música pop. Michael Jackson buscava a vanguarda sonora, e os maiores compositores do planeta orbitavam os estúdios oferecendo suas melhores criações. Foi nesse cenário de efervescência criativa que um jovem Justin Timberlake submeteu algumas de suas faixas ao Rei do Pop.

As músicas eram Rock Your Body, Like I Love You e uma balada com texturas de R&B clássico chamada Gone. Inicialmente, o material não encontrou espaço na rigorosa curadoria final do álbum de Michael e acabou sendo direcionado para o disco Celebrity, do grupo NSYNC, lançado em 2001.

O que Timberlake não imaginava era que o ouvido absoluto de Michael continuava atento. Após o lançamento de Gone, o telefone do jovem cantor tocou a partir de um número desconhecido. Do outro lado da linha, uma voz suave e brincalhona disparou: “Oi, Apple Head”.

Acreditando tratar-se de um trote, Timberlake perdeu a paciência e xingou a pessoa do outro lado. A resposta foi de uma calma desconcertante: “Justin, é o Michael”. O desespero tomou conta do cantor, que precisou se desculpar profusamente por ter acabado de gritar com seu maior ídolo.

Mas Michael não estava preocupado com a gafe. Ele tinha um objetivo puramente artístico. Com a humildade típica de quem não permite que o ego sufoque a arte, ele elogiou a versão final de Gone e foi direto ao ponto: propôs regravar a música como um dueto entre os dois.

Timberlake, em um misto de honra e frustração, precisou declinar. A faixa já estava consolidada como um trabalho fundamental para a mudança de cultura do NSYNC, e o compromisso com os membros do grupo impediu que a parceria histórica saísse do papel.

Essa história revela duas facetas inegáveis de Michael Jackson: seu faro letal para reconhecer o potencial de uma melodia pronta e a ausência absoluta de arrogância. Ele era o maior astro de todos os tempos, mas não hesitava em pegar o telefone para propor parcerias a jovens talentos quando o ritmo e a música falavam mais alto.