O veto de Ortega à versão 'Bad Tour' no show de Brunei explicado | MJ Beats
O veto de Ortega à versão 'Bad Tour' no show de Brunei explicado | mjbeats.com .br Michael Jackson ensaio Brunei YANA

O veto de Ortega à versão ‘Bad Tour’ no show de Brunei explicado

​No universo dos colecionadores e pesquisadores de Michael Jackson, o Concerto Real de 16 de julho de 1996 em Brunei é cercado por uma aura de exclusividade e mistério. Durante anos, alimentou-se o mito de que aquele show seria uma fusão inédita entre as eras Bad e Dangerous. Mas a verdade guardada nos arquivos de produção revela algo muito mais humano: Michael queria o renascimento de sua fase mais elétrica, mas a engrenagem da indústria decidiu pelo caminho mais seguro.

​O Grito de Peggy Holmes e o Plano Original

​A lenda da “Bad Version” não é teoria de fã. Ela tem nome e sobrenome: Peggy Holmes. Em 2015, documentos de produção vazados confirmaram que Michael Jackson estava genuinamente entusiasmado com a ideia de resgatar a estética de 1987. Ele queria o couro, as fivelas e a jaqueta prata.

​A proposta original era um espetáculo estruturado em blocos de tempo. A primeira metade do show seria um mergulho profundo na era Bad, resgatando canções que exigiam uma estamina brutal, como Another Part of Me e Dirty Diana. A transição para o futurismo dourado de HIStory aconteceria apenas no terço final. Michael queria sentir aquela eletricidade de novo antes de encarar o mundo com sua nova turnê mundial.

​O Veto de Kenny Ortega: Proteção ou Controle?

​A mudança drástica para o formato que conhecemos – uma estrutura quase idêntica à Dangerous Tour – costuma ser creditada a “problemas de saúde”. Na MJ Beats, preferimos olhar para a realidade dos fatos. Michael Jackson vinha de um hiato de três anos, lidando com o desgaste físico e psicológico de batalhas públicas e transformações pessoais.

​Kenny Ortega, o arquiteto visual daquela fase, tomou uma decisão pragmática. Ele entendeu que a melhor forma de proteger Michael no palco seria mantê-lo dentro de um ambiente seguro. A estrutura da Dangerous Tour estava gravada na memória muscular de Michael. Em um lugar como Brunei – com calor úmido e pressão extrema -, Ortega preferiu não arriscar a segurança do artista com marcações coreográficas que ele não praticava há quase uma década.

​Há quem diga que Ortega, por não ter dirigido a Bad Tour, preferiu manter o Rei dentro da moldura que ele mesmo ajudou a criar. Seja por estratégia de produção ou zelo excessivo, o resultado foi o cancelamento de uma das visões mais nostálgicas de Michael.

​O Roteiro de um Sonho: A Setlist Vetada

​O que veríamos no palco era um setlist desenhado para testar os limites do Rei. A ordem planejada trazia o resgate de clássicos que não eram executados há quase uma década:

  1. Jam
  2. Wanna Be Startin’ Somethin’
  3. Another Part Of Me
  4. Human Nature
  5. Smooth Criminal
  6. I Just Can’t Stop Loving You
  7. She’s Out Of My Life
  8. Jackson 5 Medley
  9. Rock With You
  10. Dirty Diana
  11. Thriller
  12. Billie Jean
  13. Beat It
  14. You Are Not Alone
  15. Dangerous
  16. Black Or White
  17. Heal The World
  18. The Way You Make Me Feel
  19. Bad
  20. Man In The Mirror
  21. Earth Song

​Brunei como o Laboratório do Futuro

​Mesmo sem o couro da era Bad, o show de 16 de julho de 1996 serviu como o grande ensaio geral para a HIStory World Tour. Foi ali que o mundo ouviu pela primeira vez as texturas ao vivo de Earth Song e You Are Not Alone. Vimos as caneleiras douradas surgirem em Black or White, desenhando o que viria a ser a “armadura” de 1997.

​O “Brad, o que você vai fazer?“, disparado por Michael durante um improviso em I Just Can’t Stop Loving You, mostrou que, mesmo sob uma estrutura reciclada, a espontaneidade de Michael era imbatível. A lenda da “Bad Version” permanece como o maior “e se?” da história, um lembrete de que, nos bastidores da perfeição, a segurança técnica muitas vezes silencia o desejo mais puro do artista.